segunda-feira, 22 de abril de 2013

3CBDPT. Call for Papers.

Depois dos dois primeiros encontros das CBDPT em 2011 e 2012, cuja participação foi muito variada em termos de temas e metodologias, a sua organização no seio da Faculdade de Letras, através do Centro de Estudos Comparatistas, vem trazer um novo fôlego e presença a este evento.
Contamos também, mais uma vez, com o patrocínio da Nouvelle Librairie Française, e os apoios do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora e da Oficina do Cego.
No desejo da continuidade e aprofundamento da investigação multidisciplinar em torno da banda desenhada e de outras áreas que lhe estão intrinsecamente associadas (a ilustração, a caricatura, o cartoon editorial, ou mesmo a animação), o objectivo das CBDPT continua a ser tornar-se o fórum de referência no estudo académico desta mesma área em Portugal.
A banda desenhada, independentemente do seu papel no concerto das artes ou do prestígio cultural angariado, pode ser entendida enquanto arte e disciplina artística, meio e modo de expressão, mas também uma rede específica de relações sociais e uma tecnologia, um conjunto de instituições e uma relação económica. Isso permite que possa, a um só tempo, ser estudada por disciplinas tão variadas quanto a estética, a teoria da cultura, a economia, a sociologia, a semiologia, a narratologia, a análise do discurso, a mediologia, a psicanálise, os estudos pós-coloniais, os estudos feministas, a queer theory, a história da arte, a história do livro, assim como estruturações muito específicas dos discursos desenvolvidos no interior da área dos já chamados Estudos de Banda Desenhada (Comics Studies) como do cruzamento interdisciplinar entre as disciplinas indicadas ou além delas.
Existindo desde pelo menos o final dos anos 1970 uma bibliografia especializada que se tem complementado e construído internamente nesta área de estudos (para não mencionarmos vários trabalhos percursores, que poderiam recuar até 1845 com o Essai de physiognomonie, de Rodolphe Töpffer), os últimos dez anos têm testemunhado um crescimento acelerado não só no número de livros monográficos, colecções de ensaios, colóquios e conferências, e traduções (que permitem um cada vez mais intenso diálogo internacional), como também de blogs, fórums e listservs na internet, de natureza académica, os quais respondem de uma forma especial e necessária a uma forma de construir o seu saber, em larga medida ainda à margem da academia mais convencional. O escopo de todos estes trabalhos tem também crescido exponencialmente, o que se alia igualmente à cada vez maior disponibilidade dos textos primários, uma vez que os processos de recuperação da memória histórica da banda desenhada têm sido desfasados dos de outras artes. Mas verifica-se, paulatinamente. Por todas estas razões, importa responder a esta tradição em particular no seio dos estudos já tecidos sobre a banda desenhada, e não imaginá-la desprovida de discursos específicos.
É nesse contexto que um dos desejos principais das CBDPT é dar a conhecer ao público português algumas das personalidades mais influentes da investigação internacional da banda desenhada, pelo que se tentará sempre contar com a presença de um ou dois convidados de referência. O ano de 2011 contou com David Kunzle, um dos primeiros grandes proponentes do estudo específico da banda desenhada, mormente numa perspectiva histórica marxista, e Thierry Groensteen, autor de Système de la bande dessinée, incorporação da abordagem semiológica a esta disciplina artística, bem como de muitos outros volumes, e que proporcionou alguns princípios de análise rapidamente adoptados ou criticados no campo. Se em 2012 não conseguimos assegurar um convidado, este ano temos já confirmada uma presença internacional, e aguardamos a hipótese de uma segunda. Anunciaremos estes nomes assim que possível. 
Estão abertas as inscrições a todos aqueles que desejem apresentar uma comunicação em torno destes objectos artísticos. Não há quaisquer restrições de tipo académico, sendo possível a qualquer pessoa, independentemente do seu grau académico, apresentar a sua proposta, assim como de qualquer área disciplinar. Os temas são totalmente livres, não se fazendo qualquer restrição, ainda que seja desejável procurar uma maior incidência em matérias relacionadas com a produção portuguesa ou de expressão portuguesa.
Apenas a título de exemplo, apresentamos alguns temas que poderão ser abordados:
  • Contextualização histórica-crítica de autores nacionais
  • Levantamento bibliográfico e tratamento crítico de obras desconhecidas, secundarizadas ou marginais
  • Representações coloniais e/ou pós-coloniais, do colonizador e do colonizado, do Outro na banda desenhada portuguesa
  • Políticas de representação sexual, étnica, e social
  • Tendências estéticas, literárias e temáticas
  • Estratégias de representação e de comunicação na banda desenhada
  • Respostas, elaborações ou críticas às teorias formalistas de banda desenhada (Th. Groensteen, B. Peeters, R. Chavanne, S. McCloud, N. Cohn, M. Saraceni, D. Barbieri, ou outros)
  • Novas abordagens da visualidade e plasticidade da banda desenhada
  • Práticas editoriais históricas e contemporâneas
  • Integração sócio-económica da banda  desenhada nos seus vários contextos históricos ou contemporâneos
  • A materialidade da obra dos autores portugueses (ou outros)
  • Transmedialidade e/ou Intertextualidades literárias e visuais
  • Teorias da recepção ou mediológicas próprias à área
  • A resposta das artes plásticas à banda desenhada (dos modernistas a R. Bértholo, dos Homeostéticos à contemporaneidade)
  • A porosidade entre a prática da banda desenhada e outras actividades (ilustração, animação, cartoon) em termos criativos, sociais e económicos
A organização das CBDPT está totalmente disponível para o aconselhamento, acompanhamento e/ou uma primeira abordagem crítica das propostas, caso o ou a proponente julgar necessário.
Todas as propostas serão lidas por uma Comissão de Apreciação, cuja constituição é indicada abaixo. A Comissão reserva-se ao direito de declinar propostas, no caso de estas não cumprirem regras mínimas de clareza, pertinência e metodologia na abordagem dos temas propostos, à semelhança do procedimento habitual na selecção de comunicações para qualquer congresso ou conferência. Existe já hoje em dia uma bibliografia consolidada em torno de variadíssimos temas, autores, contextos editoriais, momentos históricos, tendências artísticas e tratamentos disciplinares, e a Comissão poderá aconselhar a leitura ou consulta de bibliografia especializada caso não esteja essa mesma referência indicada pelas propostas. No caso das propostas aceites, os autores deverão fazer a sua inscrição completa, submetendo alguns dados biográficos complementares.

2 comentários:

  1. Presumindo que seja uma pergunta, e não uma afirmação em nosso nome, indico que, tal como indicado noutro local deste blog, as comunicações serão apenas aceites em língua portuguesa.
    Obrigado.

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